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Usinas de cana do Brasil manterão foco no etanol na próxima safra

As usinas de cana do Brasil continuarão a priorizar a produção do etanol em detrimento à de açúcar também na próxima temporada, já que a alta dos preços do petróleo impulsiona a demanda do biocombustível, disseram produtores e consultores.

Mesmo com os estoques gigantes de etanol, devido ao ritmo rápido da colheita da safra vigente em meio a condições secas no centro-sul, donos de usinas e canaviais disseram em entrevistas nesta semana que o bicombustível dá mais retorno que o açúcar.

Em alguns casos, usinas disseram estar paralisando as suas instalações de açúcar, para ajudar a economizar cana para produzir etanol.

Luís Antonio Arakaki, dono de uma usina de açúcar e etanol em Fernandópolis, no interior de São Paulo, disse que não usou sua fábrica de açúcar nesta temporada e que não planeja usar.

"Nós estamos fazendo apenas etanol. Nós vendemos um pouco de açúcar adiantado, mas decidimos comprar de volta e cancelar a produção", disse Arakaki.

Ele acrescentou que ganhou dinheiro na transação, já que os preços do açúcar caíram entre a assinatura do contrato e a sua liquidação.

O centro-sul do Brasil está colhendo uma safra menor de cana este ano, devido ao envelhecimento dos campos e uma severa seca. Isso acrescentou pressão para otimizar as operações, na medida em que as usinas procuram pelas melhores opções de receita.

O Grupo Farias, uma companhia em recuperação judicial, possui sete usinas em vários Estados brasileiros, mas apenas usa quatro, disse o diretor Fernando Perri. Entre as paradas estão duas usinas de açúcar.

"Nós estamos pegando a cana das usinas que não estão operando e transportando-a para as plantas de etanol", disse Perri.

O Grupo Farias tem capacidade de processamento de 7,5 milhões de toneladas de cana por ano, mas moerá apenas 5 milhões de toneladas neste ano.

Perri disseque o retorno do etanol é atualmente cerca de 130 reais por hectare, enquanto o açúcar rende cerca de 100 reais.

O foco voltado para o combustível e o ritmo acelerado da colheita resultaram em estoques de etanol com 2,5 bilhões de litros a mais do que no mesmo período do ano passado, de acordo com estimativas da Bioagência, uma trading líder de etanol.

Isso tem pressionado os preços, mas o etanol ainda paga melhor que o açúcar, disseram os processadores.

Tarcilo Rodrigues, da Bioagência, disse que as usinas mais capitalizadas estão estocando etanol para vender após a safra, no começo de novembro, quando os preços devem subir. Outras, pressionadas pelo pagamento de contas, estão vendendo rapidamente.

"Alguns fazem dois litros e vendem os dois. Outros fazem dois, vendem um e estocam o outro. Outros estocam tudo", ele disse.

Por Marcelo Teixeira


Fonte: Reuters