Clipping

Usinas de etanol dos EUA investem fortemente em produtos higienizadores

Postado em 9 de Outubro de 2020

A biorrefinaria Red River, localizada em Grand Forks, no Estado norte-americano da Dakota do Norte, iniciou suas operações em abril – provavelmente, o pior momento possível para a abertura de uma instalação de etanol, considerando que a pandemia de coronavírus fez com que a demanda por combustíveis despencasse.

Mas em vez de fechar, como muitas unidades produtoras de etanol, a empresa alterou seu foco da fabricação de combustíveis para a produção de álcool para higienizadores de mãos, segmento que viu a demanda disparar durante a pandemia.

Agora, a Red River e diversas outras empresas enxergam o mercado de desinfetantes de mãos como mais do que um alívio temporário para a fraca demanda por combustíveis, passando a realizar investimentos permanentes na produção de álcool com concentração suficiente para ser utilizado na fabricação dos produtos de higiene.

Nos últimos meses, Pacific Ethanol, Green Plains e Highwater Ethanol anunciaram que vão aumentar as capacidades de produção de álcool de alta qualidade.

“Quando entramos em operação, nossa intenção era estar puramente no mercado de combustíveis”, disse o presidente da Red River, Keshav Rajpal. “Mas instantaneamente houve uma grande mudança na oferta e demanda. Quando isso acontece, no nosso caso, as margens ficam muito maiores em comparação com o etanol combustível”.

No mundo, o mercado de higienizadores de mãos era avaliado em 2,7 bilhões de dólares em 2019, com a América do Norte sendo responsável por um terço da participação, de acordo com a consultoria Grand View Research.

A onda de anúncios indica que alguns produtores veem mais lucratividade na higiene das mãos, por causa da pandemia, do que nos combustíveis para transporte. A demanda por etanol de milho tende a acompanhar de perto o consumo de gasolina, já que a lei norte-americana exige que haja mistura dos combustíveis.

A Pacific, sediada em Sacramento, reportou bons resultados no segundo trimestre devido às margens favoráveis para o álcool utilizado no setor de higiene, disse o copresidente da empresa, Michael Kandris, em uma conferência em agosto.

Esse tipo de álcool, destacou Kandris, costuma ser vendido a preços fixos e volumes com compromissos contratuais mais longos do que o etanol, o que melhora as margens.


Fonte: Reuters via Nova Cana - retirado do Portal SIAMIG