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Usinas de MS deverão aumentar em 3% moagem de cana na nova safra

Postado em 26 de Abril de 2021

Mato Grosso do Sul deverá ter uma safra sucroalcooleira em 2021/22 muito semelhante à da temporada passada. O volume de cana processado tende a ser ligeiramente maior, porém com menor concentração de sacarose na cana, e a produção será mais voltada ao etanol do que ao açúcar.

De acordo com estimativas da Associação de Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), serão processadas 50,2 milhões de toneladas de cana, um aumento de 2,86% ante o ciclo passado, quando foram moídas 48,8 milhões de toneladas.

Essa maior oferta de cana decorre de investimentos em renovação de canaviais e em tratos culturais, que poderão compensar os efeitos sobre a produtividade provocados pela seca que ocorreu no ano passado e se estendeu durante o último verão.

“Não é uma melhora eloquente. Estamos fugindo da queda, mas vai depender de clima”, disse Roberto Hollanda, presidente da Biosul, em entrevista coletiva. O dirigente lembrou que houve falta de chuvas entre janeiro, fevereiro e março, justamente o período mais importante para o crescimento da cana.

Por outro lado, a concentração de sacarose na cana deverá ser 0,32% menor, de 138,82 quilos de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de cana processada. A concentração de ATR na cana colhida em Mato Grosso do Sul é em geral menor que a média do Centro-Sul porque as usinas do Estado processam cana ao longo de toda a safra, inclusive no período de entressafra, entre janeiro e março, quando a maior incidência de chuvas dilui a sacarose nas plantas.

E, destoando da tendência geral do Centro-Sul, as usinas de Mato Grosso do Sul deverão dar um pouco mais de preferência para a produção de etanol do que na safra passada, mas com uma diferença pouco expressiva e que se alinha ao perfil mais alcooleiro das unidades do Estado, muitas das quais produzem apenas o biocombustível. Do total da cana a ser moída, 74% deve ser destinado para a produção de etanol, ante 71,47% na safra passada.

A produção total do combustível renovável deverá crescer 6,29%, para 3,05 bilhões de litros, dos quais 850 milhões de litros deverão ser de anidro e 2,2 bilhões de litros de hidratado.

Em contrapartida, a produção de açúcar deverá cair para 1,710 milhão de toneladas, uma redução de 7,44%, ou de 137 mil toneladas, ante a safra passada, quando as usina sul-mato-grossenses produziram um volume recorde de açúcar.

Se confirmada a maior oferta de cana a ser colhida e a tendência mais alcooleira, é possível que as usinas do Estado exportem uma quantidade maior de eletricidade para o sistema, já que haverá mais oferta de bagaço e menos consumo de energia para a produção do açúcar. Na safra passada, o setor cogerou no Estado 2,447 mil gigawatts-hora (GWh).

O Estado ainda não possui usinas que produzem etanol a partir do milho, mas já há um ou dois investimentos que devem ser feitos nessa tecnologia no curto prazo, segundo Hollanda.


Fonte: Valor Econômico