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Usinas retomam aportes em MG

A recuperação dos preços do etanol e do açúcar contribuiu para que as usinas de cana-de-açúcar instaladas em Minas Gerais retomassem parte dos investimentos. A diversificação das plantas, com a introdução de fábrica de açúcar e produção de energia, é uma opção considerada importante por ampliar a oferta de produtos e expandir o mercado de atuação. Somente na safra 2017/18, duas fábricas de açúcar entraram em operação nas usinas Vale do Pontal e Bioenergética Aroeira, somando R$ 130 milhões em aportes. A inversão na geração de energia foi realizada pela usina WD Agroindustrial, localizada em João Pinheiro, no Noroeste de Minas, com investimento de R$ 60 milhões e capacidade de produzir 46 megawatts por hora.

"Existe hoje, em Minas Gerais, uma indústria bastante flexível onde o produtor pode escolher entre a maior produção de açúcar ou de etanol, de acordo com o mercado dos produtos. Desde o ano passado, estamos ajustando o setor, o que é muito importante, porque durante muito tempo ficamos sem condições de investir nos canaviais e na flexibilização das usinas. Temos, agora, várias empresas investindo em fabricas de açúcar", explica o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos.
 Um dos aportes foi feito na Bioenergética Aroeira, em Tupaciguara, no Triângulo. De acordo com o diretor da Aroeira, Gabriel Feres Junqueira, a usina, que começou a operar em 2010, só produzia etanol e a partir deste ano passa a produzir açúcar também. Com a instalação da fábrica de açúcar, a produção de etanol cairá de 120 milhões de litros, obtidos na safra 2016/17, para 50 milhões de litros na atual temporada.

Exportação - A previsão é que a produção de açúcar, no primeiro ano-safra, alcance 100 mil toneladas, volume que será totalmente exportado. O projeto para a implantação da fábrica de açúcar demandou investimentos de R$ 50 milhões a R$ 55 milhões, com o projeto iniciado em 2016 e concluído em abril deste ano. O retorno é esperado em dois anos.

A ampliação da unidade gerou mais 60 empregos, totalizando 800 funcionários na unidade. A diversificação é considerada fundamental para o crescimento do faturamento da empresa, que em 2017 está estimado em R$ 240 milhões, com aumento de 14,28% sobre os R$ 210 milhões registrados em 2016.

"Os preços do açúcar estavam interessantes quando resolvemos investir. Além disso, o açúcar dá uma flexibilidade comercial melhor, com acesso a outros mercados, o que é muito interessante para a empresa. Independente do preço do açúcar, é importante para a empresa ter outras fontes de receita e não depender somente do etanol no mercado interno. Nossa intenção, a princípio, é trabalhar com a exportação do açúcar", explicou Feres Junqueira.

O próximo passo será a ampliação da moagem de cana-de-açúcar, que hoje está em 1,5 milhão de toneladas, sendo metade de cana própria e o restante adquirido de terceiros. A ampliação dependerá dos preços tanto do açúcar quanto do etanol.
 


Fonte: Diário do Comércio