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Usineiros esperam que cota de etanol abra mais espaço para o açúcar nos EUA

Postado em 14 de Setembro de 2020

Os produtores de etanol do Brasil afirmaram que esperam que o chanceler Ernesto Araújo consiga obter dos Estados Unidos as contrapartidas esperadas com a confirmação da abertura da nova cota temporária de importação de etanol, válida pelos próximos 90 dias.

Ao Valor, o presidente da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), afirmou que espera que o ministro “alcance o que ele está se propondo a fazer, que é encontrar um bom acordo entre o brasil e os Estados Unidos e que envolva especialmente o comércio de açúcar”.

“Confiamos que existirão outras medidas de contrapartida externas por parte dos Estados Unidos e também de medidas internas no Brasil, que são medidas fiscais para equilibrar a vida do setor”, acrescentou Renato Cunha, presidente do Sindaçúcar/PE.

Em conversas com representantes dos usineiros nas últimas semanas, Araújo vinha afirmando que estava “próximo” de fechar um acordo com os Estados Unidos que beneficiaria as usinas. A principal contrapartida seria o aumento da cota de importação de açúcar brasileiro pelos Estados Unidos. O chanceler também vinha sinalizando que teria um compromisso do governo de Donald Trump de garantir o aumento da mistura de etanol na gasolina no mercado americano, hoje em 10%.

Nos últimos dias, os representantes das usinas sucroalcooleiras ainda reforçaram com o governo pedidos de isonomia tributária — atualmente, os importadores de etanol obtêm crédito de PIS/Cofins, o que não ocorre quando compram etanol produzido no país.

Os dirigentes também pediram que a Receita Federal regulamente a nova tributação dos Créditos de Descarbonização (CBios) em 15% sobre a receita, e não em 34%. A medida foi aprovada depois que os deputados derrubaram um veto do presidente Jair Bolsonaro à Lei do Agro, que tratada sobre o tema.

Em cinco meses da safra atual (2020/21), quando a cota anterior ainda estava vigente, o Brasil importou 200 milhões de litros de etanol dos Estados Unidos, 80% do total importado. As importações, porém, costumam se concentrar na entressafra do Centro-Sul, entre janeiro e março.

O volume previsto na nova cota é pequeno se comparado ao consumo nacional. Em agosto, as usinas do Centro-Sul venderam 2,4 bilhões de litros de etanol anidro e hidratado no mercado interno. Entretanto, o produto importado costuma pressionar o mercado do Nordeste, por onde entra a maior parte do volume e onde 30% das usinas produzem apenas etanol.

 


Fonte: Valor Econômico (11/09)