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Usineiros tendem a produzir mais açúcar do que etanol

Postado em 20 de Março de 2020

A desvalorização do petróleo registrada nos últimos dias, o que tende a provocar a redução dos preços da gasolina, pode contribuir para que a produção de açúcar em Minas Gerais seja maior na safra 2020/21.

Apesar da queda dos preços das commodities em geral, o impulso para um mix mais açucareiro também se deve aos preços mais valorizados praticados no início do ano, o que fez com que as usinas antecipassem as vendas, e ao déficit do produto no mercado mundial. Porém, em função do avanço do coronavírus pelo mundo, o mercado para os produtos do setor sucroenergético ainda está bem indefinido.

A confirmação dos volumes e a opção das usinas por maior volume de açúcar ou de etanol só será confirmada após o início da safra, que acontece entre o final de março e início de abril.

O presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, explica que o setor, além do choque do coronavírus, está vivendo um choque do petróleo, que tem origem na briga entre dois grandes produtores, a Arábia Saudita e a Rússia. “Sem dúvida, temos uma perspectiva de demanda menor no mercado de combustíveis, isso porque a China e a Europa estão paradas e outros países estão parando as atividades em função do coronavírus. Isso tem feito com que o preço do petróleo recue, por outro lado, o câmbio não para de subir. Então, temos que esperar e ver o que vai acontecer. Não temos ainda percepção do mercado, mas podemos dizer que os players estão parados, as vendas de etanol por parte das usinas estão muito difíceis. Há uma espécie de stress no mercado”.

Ainda conforme Campos, mesmo antes da queda dos preços do petróleo e da disseminação do coronavírus pelo mundo, a tendência para a safra atual de cana, em Minas Gerais, já previa um mix maior de açúcar, em função dos preços melhores praticados entre o final de 2019 e início de 2020. Entre os fatores que podem contribuir para uma maior produção de açúcar estão também o déficit de oferta, a valorização do câmbio e a queda dos preços do petróleo.

“Em relação ao açúcar, tivemos uma janela boa de precificação entre dezembro e fevereiro. Muitas precificações foram feitas e vamos produzir para entregar esse produto. Esperamos, que até lá, no momento de entrega, consigamos ter uma vazão dos navios. O mundo precisa se alimentar e o açúcar é um alimento importante. Hoje, no mundo, passamos por um déficit do produto em relação à oferta e à demanda, ou seja, a oferta será menor que a demanda e o açúcar brasileiro é muito importante para o mundo”.

De acordo com a analista de agronegócio da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Ana Carolina Alves Gomes, ainda é cedo para mensurar para qual produto as usinas devem dar prioridade, isso, em função da safra de cana-de-açúcar só iniciar em abril. “O preço do petróleo caiu e o do açúcar também. Entrando em safra, o etanol pode se tornar mais competitivo pelo maior volume, menor preço e melhor paridade em relação à gasolina”.

Ainda de acordo com Ana Carolina Gomes, as commodities em geral, incluindo o açúcar, estão com queda nos preços, em função da crise causada pelo coronavírus, que impactou de forma negativa no mercado. Por outro lado, a desvalorização do real pode estimular a exportação e, dentro da cadeia sucroenergética, o açúcar que é destinado ao mercado internacional.

Álcool em gel – Um dos métodos de prevenção à contaminação do coronavírus é o uso de álcool em gel ou 70% para higienização. De acordo com o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, o mercado é pequeno dentro do setor sucroenergético, porém, muito importante no atual momento.

“Estamos nos movimentando para aumentar a disponibilidade e a ampliação dos pontos de venda, principalmente do álcool 70%. Porque às vezes, não terá a disponibilidade do álcool em gel, devido à falta de insumos necessários no processo de fabricação das indústrias”.

Ainda conforme o representante da Siamig, várias medidas estão sendo tomadas no setor para evitar a contaminação dos funcionários, uma vez que a colheita da cana não pode ser paralisada em função de perdas. “As empresas estão fazendo campanhas de conscientização, evitando aglomerações, modificando o horário de refeições para manter os refeitórios mais vazios, aumentando o número de ônibus para transporte dos funcionários e dotando o home office em alguns casos. Isso é importante para combater a pandemia que pode aumentar no Brasil”.

 


Fonte: Diário do Comércio