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Uso de herbicidas em áreas com MPB deve evitar fase de “pegamento”

Aplicação inicial deve ocorrer entre 25 a 30 dias antes do plantio, revela Carlos Azania, que fará palestra sobre o tema no 17º Herbishow 

Qual é o período mais adequado para a aplicação de herbicidas em áreas de cana com Mudas Pré-Brotadas (MPB)? Esse assunto vai ser abordado, de maneira detalhada, pelo engenheiro agrônomo Carlos Alberto Mathias Azania durante a palestra “Posicionamento de herbicidas no manejo químico de plantas daninhas em MPB”, que faz parte da programação do 17º Herbishow – Seminário sobre Controle de Plantas Daninhas da Cana. O evento, que é uma realização do Grupo IDEA, acontece nos dias 16 e 17 de maio, em Ribeirão Preto, SP.

Apesar da necessidade de considerar diversos fatores neste manejo, deve ser evitada a utilização de herbicidas na fase de pegamento da MPB que dura até 35 a 40 dias após o plantio, quando a muda é ainda muito jovem e apresenta maior sensibilidade a esses produtos. 

O melhor momento para a aplicação inicial é 25 a 30 dias antes do plantio de Mudas Pré-Brotadas, revela Carlos Azania, que é pesquisador científico do Centro de Cana do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. 

“Nesta fase, consegue-se minimizar os fluxos de emergência das plantas daninhas. É adotada a prática conhecida como Pré-Plantio Incorporado (PPI), ocorrendo a utilização de uma pequena grade para a incorporação do agroquímico no solo que fica em pousio até ser plantada a Muda Pré-Brotada”, detalha.

Azania observa que, quando o plantio é iniciado, o banco de sementes já está mais minimizado – o que é diferente de reduzido – ou seja, o efeito das sementes será atenuado em decorrência dessa aplicação, exercendo uma baixa pressão nas Mudas Pré-Brotadas.

Uma segunda aplicação deve ser feita – recomenda – de 30 a 40 dias após o plantio da MPB, o que equivale a um intervalo de aproximadamente 70 dias em relação à primeira aplicação (realizada de 25 a 30 dias antes do plantio).    

“Neste momento, a Muda Pré-Brotada já passou do período de maior sensibilidade, o que torna indicado outro tratamento com herbicida”, diz. O fluxo de emergência do banco de semente já apresenta, nessa etapa de desenvolvimento da cultura, condições favoráveis para a manifestação de outras espécies de plantas daninhas – esclarece.

Com este manejo, mais de 90% dos tratamentos com herbicidas em áreas de MPB proporcionam um excelente controle de plantas daninhas associado a uma seletividade muito interessante sobre a cultura, ou seja, a planta vai ficar menos impactada em decorrência da ação do herbicida em seu metabolismo – enfatiza Carlos Azania, que possui doutorado em Produção Vegetal pela Unesp, campus de Jaboticabal, SP.

Todas essas recomendações e avaliações, que serão aprofundadas no seminário do Grupo IDEA, foram estudadas em um projeto de pesquisa, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), sobre manejo químico para controle de plantas daninhas em Muda Pré-Brotada.

Com duração de dois anos, o projeto reuniu dissertações de dois alunos do curso de mestrado do Instituto Agronômico, de Campinas, trabalhos de estudantes de iniciação científica do curso de Agronomia da Faculdade Dr. Francisco Maeda (Fafram), de Ituverava, SP, e de estudantes – também da Fafram – que fizeram estágio de treinamento técnico no IAC.

Além do projeto da Fapesp, houve a realização de outro trabalho de pesquisa a partir do plantio de 1,3 mil hectare de MPB em área do Centro de Cana com variedade IACSP 95-5000 e Plene PB, da Syngenta, que também tiveram duas aplicações de herbicidas, fora da fase de “pegamento” das mudas, apresentando resultados bastante positivos. “Usamos drone mostrando que não havia infestação de planta daninha nem falha no stand. O canavial ficou muito bonito”, ressalta.

Segundo o pesquisador do IAC, esses trabalhos mostram que existem diferentes manejos que podem ser feitos no controle de plantas daninhas em MPB. “Mas, a medida que a aplicação fica mais distante do plantio – antes e depois – , a seletividade de herbicidas nos tratamentos é melhor”, afirma. 

“Caso haja a perda da janela de aplicação antes do plantio, não será possível esperar mais 35 a 40 dias para entrar com o tratamento de herbicida, porque o mato vai vir antes. Haverá necessidade de entrar com o tratamento com uma semana ou quinze dias, no máximo, depois do plantio”, comenta. 

Isto não significa que o produto vai matar a MPB. “A muda absorverá mais herbicida e vai demorar mais para fazer a metabolização. Dependendo da variedade, pode provocar um atraso no crescimento, fechamento e perfilhamento”, observa. 

Durante a palestra no Herbishow, Carlos Azania vai detalhar, entre outros resultados das pesquisas, os impactos causados na planta e na cultura pelo emprego do herbicida poucos dias após o plantio, incluindo altura, número de gemas e de colmos, produtividade em toneladas de cana por hectare.

Outras informações sobre o evento podem ser obtidas no site www.ideaonline.com.br 

 

Serviço:

17º Herbishow – Seminário sobre Controle de Plantas Daninhas da Cana

Data: 16 e 17 de Maio de 2018
Local: Centro de Eventos Ribeirão Shopping
Mais informações: (16) 3211-4770
E-mail: eventos@ideaonline.com.br

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Fonte: Assessoria