Clipping

Valor bruto da produção tende a encolher no país

Os baixos patamares de preços internacionais e domésticos da maior parte das commodities agrícolas exportadas pelo país e as projeções de queda da colheita em alguns segmentos importantes terão reflexos negativos sobre o valor bruto da produção das lavouras brasileiras em 2018.

Estimativas atualizadas da MacroSector apontam que, no total, a receita deverá somar R$ 349,8 bilhões, uma redução nominal de 3% em relação ao recorde de 2017 (R$ 360,6 bilhões). Nas contas da consultoria com sede em São Paulo, será a primeira baixa em nove anos, o que deverá tornar ainda mais estreitas as margens de lucro no campo.

No horizonte desenhado pela MacroSector, haverá retrações da produção e receita nos casos de soja, cana e milho, os três produtos mais importantes da agricultura do país, e também nos mercados de arroz e feijão, a dupla mais popular nos pratos dos brasileiros. Para a laranja, a previsão é de aumento da colheita e queda de receita, em consequência de um forte recuo dos preços.

A consultoria sinaliza, como aponta o quadro ao lado, que o encolhimento do valor nominal total não será maior porque haverá incrementos de colheitas e valores da produção de algodão, trigo e café. Mas nada capaz de tirar a chamada "agroinflação" dos eixos.

Para o economista Fabio Silveira, sócio da MacroSector, o cenário exige cautela. Ele lembra que o câmbio não está favorável às cadeias exportadoras e vê com preocupação a atual política de crédito rural, cujas taxas de juros não estão vantajosas tendo em vista a queda da Selic.

O governo sabe disso. Em evento realizado em Rio Verde (GO) na terça-feira, o presidente Michel Temer recebeu de produtores rurais um documento apontando preocupação com os juros. No mesmo evento, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, reconheceu que as margens de lucro no campo estão apertadas e manifestou sua disposição de resistir a um aumento da tributação sobre o agronegócio.


Fonte: Valor Econômico