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VBP pode recuar 6% no Estado

Em um ano de alta produção de grãos e preços menores pagos por importantes produtos, o Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) de Minas Gerais, estimado para 2017, com base nos dados levantados até junho, deve recuar 6%, com a produção avaliada em R$ 55,13 bilhões. Na agricultura, a queda estimada é de 8,7%, enquanto o resultado da pecuária ficou 0,65% inferior. Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

O VBP da agricultura foi estimado em R$ 35,7 bilhões, variação negativa de 8,7% frente aos R$ 39,1 bilhões registrados em 2016. A queda está atrelada à maior produção de grãos, o que provocou o aumento da oferta e preços menores que os praticados em 2016, quando a safra foi afetada pelas condições climáticas desfavoráveis.

“Neste ano é preciso destacar o aumento da produtividade e da nossa produção de grãos. O clima foi mais favorável, o que auxiliou no bom desenvolvimento da safra. Porém, com a maior produção de milho, feijão e soja, os preços caíram”, disse a coordenadora da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Aline Veloso.

Café - O café, principal produto do agronegócio de Minas Gerais, apresentou recuo de 18,6% no VBP, que foi estimado em R$ 12,24 bilhões. No café tipo arábica a queda verificada ficou em 18,89% e a produção avaliada em R$ 12 bilhões. Já o VBP da produção mineira de café conilon ficou 13,5% maior e alcançou R$ 144,1 milhões.

De acordo com Aline, é preciso acompanhar o desempenho do café ao longo dos próximos meses, principalmente em relação aos preços. “Estamos no ano de safra menor e os estoques estão em baixa. Por isso, a desvalorização dos preços pagos pelo café não era esperada”, explicou.

Grãos - O VBP do milho ficou 6% menor e foi estimado em R$ 3,62 bilhões. A queda foi estimulada pelos preços menores, uma vez que a oferta do cereal foi ampliada. Minas Gerais, na safra 2016/17, deve colher 7,74 milhões de toneladas de milho, aumento de 30,8% sobre as 5,9 milhões de toneladas registradas na safra passada.

A soja apresentou retração de 13% no VBP, que foi estimado em R$ 4,8 bilhões. Com a produção em torno de 5 milhões de toneladas, o que representa uma variação positiva de 6,7% sobre as 4,7 milhões de toneladas colhidas na safra 2015/16, os preços recuaram e impactaram no VBP.

No feijão, a queda foi de 35,9% e a produção avaliada em R$ 1,42 bilhão. Retração também no VBP da batata-inglesa, a cultura foi estimada em R$ 1,26 bilhão, 55,5% menor. Na cebola a queda de 37,8% fez com que o VBP ficasse em R$ 218,6 milhões.  O VBP do tomate, R$ 1,29 bilhão, recuou 10,6%. “A queda no VBP de todos estes produtos ocorreu pela produção relevante, o que trouxe como impacto a queda de preços. Essa retração permitiu a desaceleração da inflação e melhores condições de compras para o consumidor”.

Cana-de-açúcar - Dentre os destaques positivos está a cana-de-açúcar. O VBP estimado para 2017 está 47,33% superior e deve alcançar R$ 7,32 bilhões. “A valorização ocorre, especialmente, pela demanda mundial alta pelo açúcar, o que eleva os preços e favorece o crescimento do VBP”, disse Aline.


Fonte: Diário do Comércio