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Veículos elétricos fabricados no Brasil começam a ganhar as ruas

Postado em 1 de Agosto de 2019

Atentas à migração global do carro à combustão para o elétrico, startups brasileiras querem ser protagonistas da produção local desse tipo de veículo, enquanto as grandes montadoras ainda estudam a viabilidade de nacionalização e começam a trazer modelos importados para testes de aceitação dos consumidores.

Alguns projetos nessa linha já surgiram e sucumbiram, mas pelo menos três empresas começam a colocar seus modelos nas ruas. São minicarros, quadriciclos e triciclos voltados principalmente ao transporte compartilhado, em princípio para atender nichos do mercado.

A Gaia, com linha de montagem compartilhada em Cotia (SP) e Manaus (AM); a Mobilis, de Palhoça (SC); e a eiON, de Pinhais (PR) não têm pretensão de serem montadoras, mas sim empresas de tecnologia com agilidade para desenvolver produtos sustentáveis, simples, acessíveis e com alto nível tecnológico.

O triciclo Gaia, que deve chegar ao mercado no fim do ano, é um intermediário entre moto e minicarro. Tem chip de internet integrado e aplicativo próprio de compartilhamento. A chave é digital, acionada por senha no smartphone. Pode ser carregado em tomada comum, sem depender de infraestrutura própria.

Segundo Ivan Gorski, fundador da Gaia Eletric Motors, com uma carga de 8 horas o veículo tem autonomia para rodar 200 km. “O custo médio para essa quilometragem é de R$ 8, cerca de 20 vezes mais eficiente que a gasolina.” Até agora, mais de 100 pessoas pagaram R$ 300 para ter preferência na lista de pré-venda. Neste ano, ele pretende entregar de 20 a 30 unidades.

O público alvo de Gorski, no entanto, são empresas que queiram usar o veículo para prestação de serviços e entregas, ou uso compartilhado em cidades de pequeno porte, nas quais serviços como Uber e Cabify não chegaram. “Há foco na mobilidade em grandes capitais, mas estamos pensando em cidades satélites.” O Gaia leva duas pessoas e custa R$ 80 mil, valor que daria para comprar, por exemplo, um Jeep Renegade com motor flex. O retorno do investimento, diz o Gorski, é rápido pela economia com combustível e manutenção. Segundo ele, 60% dos itens do Gaia são importados, entre os quais o conjunto da bateria e o motor elétrico.

Gorski trabalhou no UOL, Yahoo! e LinkedIn. A Gaia, criada oficialmente em 2018, tem oito sócios, passou por duas rodadas de investimentos e hoje é avaliada em R$ 10 milhões.

Li, de Santa Catarina, quer rodar em áreas restritas

Quando o assunto sobre carros elétricos começou a se popularizar, há quatro anos, o engenheiro mecânico Mahatma Marostica, que por muitos anos trabalhou no setor automotivo, viu oportunidade de empresas de pequeno porte se inserirem nesse mercado mais rapidamente do que a “indústria clássica”, que costuma levar mais tempo para se posicionar. Talvez por isso, diz ele, a Tesla tenha crescido tão rápido.

Com três sócios, ele criou a Mobilis e desenvolveu em 2018 um carro experimental para uso de vizinhança – locais delimitados como condomínios, universidades, resorts, indústrias, parques e campos de golfe. Trata-se do Li (o nome vem de lítio, principal matéria-prima para a bateria).

Foram vendidas 10 unidades do modelo por R$ 60 mil cada, das quais oito foram entregues no início deste ano. Por circular só em áreas privadas, a versão dispensa itens como airbags e freios ABS. O modelo carrega duas pessoas, pode ser personalizado e sua velocidade máxima é de 40 km/hora. O carregamento é feito em qualquer tomada, em 6 horas como padrão e 3 horas como opcional. Há ainda opção para carga em 1,5 hora.

Nesta fase, foram investidos R$ 2,4 milhões com capital próprio e de investidores anjo. “Estamos prestes a captar uma rodade de investimentos de R$ 6 milhões para a versão de rua, o Li DR. A homologação para início de produção deve sair em 2020”, diz Marostica. No processo de pré-venda do modelo de rua, que atenderá as normas de segurança, houve 600 inscrições.

O Li será equipado com um tag, chip para abrir e fechar portas, que permite rastreamento e agendamento de uso pelo celular. Entre as vantagens sobre um carro popular a gasolina ele cita economia de 80% com combustível (hoje equivalente a R$ 12 mil ao ano), 70% de redução com manutenções, 95% de redução de ruídos e 100% nas emissões de poluentes.

A ideia, diz ele, é ter também um modelo para quatro passageiros e opções de autonomia de 100 km a 160 km. Os preços, em princípio, devem ir de R$ 70 mil a R$ 75 mil. No momento, ele diz que o modelo de negócio, que poderá ser de locação por assinatura. Em custo, 70% dos equipamentos são nacionais. A célula e o carregador da bateria, importados da China, representam os outros 30%.

“Estamos sempre em busca de mais fornecedores locais”, diz Marostica. Ele e outros fabricantes discutem a criação da Associação dos Fabricantes de Veículos Elétricos Nacionais, com objetivos como a customização de componentes e compras conjuntas para baratear preços.

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