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Venda de etanol na Índia pode beneficiar Brasil e Minas Gerais

Postado em 5 de Abril de 2021

A autorização do Ministério do Petróleo, Gás Natural e Aço da Índia para que as empresas de petróleo e distribuição de combustíveis comercializem o etanol puro (E100) nos postos de combustíveis será favorável para o Brasil e Minas Gerais, que têm importante participação na produção de açúcar e do biocombustível.
Ainda que no longo prazo, o uso do etanol de cana-de-açúcar, além de favorecer o meio ambiente e estimular que outros países adotem o biocombustível, pode contribuir para o maior controle da oferta de açúcar no mercado mundial, o que é importante para a precificação do adoçante. Além disso, o País poderá exportar o combustível e a tecnologia, inclusive a automotiva dos carros flex. 

O presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, explica que a Índia é o maior produtor mundial de açúcar e, com o maior uso do etanol, poderá diversificar a produção. Hoje, o etanol só é utilizado naquele país na adição ao combustível fóssil. A mistura ainda não chegou a 10%, mas vem avançando nos últimos anos.

Na Índia, a produção de cana-de-açúcar é controlada pelo estado e há políticas de subsídios para estimular a produção e fixar as pessoas no campo. Com uma população imensa e um consumo cada vez maior de energia, o país é dependente da importação de petróleo.

“A produção de açúcar na Índia tem uma importância tremenda para economia local, mas, o país é um grande importador de petróleo; um dos maiores do mundo. Ao mesmo tempo, os mecanismos do governo para a manutenção da produção de cana, geram distorções e excessos de produção de açúcar e o governo tem que administrar com as exportações. Por ser uma produção subsidiada, no comércio mundial, os subsídios são contestados. Por esses fatores, a diversificação da produção é importante, para manter a produção de cana, controlar a oferta de açúcar destinado parte para a produção de etanol e tendo uma fonte renovável de energia”, explicou Campos. 

Todo o processo para possibilitar o uso do biocombustível nos veículos demandará tempo e investimentos nas adaptações das indústrias de açúcar para produção de etanol, da rede de distribuição e comercialização. Por isso, o Brasil, único país que comercializa etanol puro nos postos de combustíveis, poderá contribuir com tecnologias, inclusive a tecnologia flex dos veículos. 

ssim, Campos avalia que a adoção do etanol na Índia é importante para o setor sucroenergético. “A Índia é um mercado extraordinário e, no longo prazo, com a construção de um novo mercado para o etanol, cria-se oportunidades para exportarmos. Com o uso do etanol, a cana, na Índia, que hoje é utilizada só para o açúcar, no futuro também será destinada ao etanol. A adoção do biocombustível também servirá de estímulo para que outros países da região utilizem o etanol como fonte de energia. Além disso, quando houver uma maior produção de cana-de-açúcar, o governo indiano poderá usar mecanismos para estimular a produção do etanol, mantendo a oferta de açúcar mais ajustada com a demanda mundial, favorecendo a precificação do açúcar”.

Safra cana-de-açúcar 2021/2022
Com a demanda aquecida pelo açúcar e o mercado retraído para o etanol, reflexo das medidas de isolamento para conter o avanço da pandemia de Covid-19, a safra mineira de cana-de-açúcar em 2021/22 tende a ser, novamente, mais açucareira. O clima seco tende a interferir na produção que pode ficar menor que as 70 milhões de toneladas de cana colhidas na safra passada. A safra de cana-de-açúcar , em Minas Gerais, foi iniciada na última sexta-feira, primeiro de abril. 

“Ainda não temos os números da safra, mas a tendência é de um volume de cana menor que a do ano passado, quando colhemos o volume recorde de 70 milhões de toneladas. Enfrentamos uma seca muito forte, que pode interferir de forma negativa. Caso as chuvas, em abril, sejam abundantes, poderemos recuperar parte das perdas, mas, se não forem suficientes, podemos produzir de 5% a 10% a menos”, explicou o presidente da Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos.

Ainda segundo Campos, as usinas mineiras investiram no aumento da capacidade de produção de açúcar, o que gera uma possibilidade de aumento do mix. “Estamos trabalhando com a possibilidade de uma safra mais açucareira que a 2020/21, que será impulsionada pelo mercado. Na safra anterior, 48% da cana foram para o açúcar e a tendência é superar 51% na safra atual”, detalhou.

Em relação ao etanol, a tendência é de uma produção menor, já que o mercado vem sendo afetado pelos efeitos negativos da pandemia. Além das medidas restritivas, que reduzem a demanda por combustíveis, o aumento do desemprego e a queda da renda também interferem no consumo. 
 
“Estamos passando por um momento da pandemia com mais restrições de mobilidade e não sabemos quando voltaremos à normalidade. Além disso, a pandemia impactou de forma negativa na renda da população. Ano passado, tínhamos o auxílio emergencial em um valor considerável e que ajudou a manter a estrutura. Esse ano, o mercado de combustíveis tende a ficar mais comedido em função de tudo isso”, disse Campos.

 


Fonte: Diário do Comércio