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Venda de máquinas perde força, mas indústria ainda prevê resultados positivos

Postado em 7 de Fevereiro de 2019

As vendas de máquinas agrícolas perderam ritmo no país em janeiro, ainda que tenham aumentado de forma expressiva em relação ao mesmo mês de 2018, quando o mercado estava atipicamente desacelerado.

Segundo dados divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram comercializadas 2.636 unidades, 40,1% menos que em dezembro. Em relação a janeiro do ano passado, houve alta de 64,5%.

 

 

 

Como informou o Valor, nos últimos meses de 2018 o salto das vendas foi muito influenciado pela antecipação de compras por produtores rurais que temiam a escassez de crédito no Moderfrota e em outras linhas de crédito do Plano Safra destinadas à aquisição de máquinas.

E o problema existe. Dos recursos reservados para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), por exemplo, 80% já foram desembolsados e a linha tende a secar antes do fim do atual Plano Safra, em 30 de junho.

A despeito da queda em relação a dezembro, a Anfavea continua otimista quanto às vendas em 2019 como um todo. "Tudo indica que teremos uma boa rentabilidade no setor [agrícola] e, quando isso acontece, sempre há aumento de vendas", disse Antonio Megale, presidente da Anfavea. A entidade estima avanço de quase 11% das vendas no ano.

Ainda segundo a Anfavea, a produção de máquinas somou 2.819 unidades em janeiro, 3,5% mais que no mesmo mês de 2018. Na comparação com o mês de dezembro do ano passado, quando as montadoras ampliaram tendo em vista a temporada de feiras agropecuárias que já começou em diversos polos agrícolas, houve queda de 49,2%.

"Na Show Rural Coopavel, as vendas estão indo muito acima das expectativas, o que nos leva a continuar com otimismo muito grande", disse Alfredo Miguel Neto, vice-presidente da Anfavea. Uma das mais importantes feitas do país, a Show Rural é organizada pela cooperativa Coopavel em Cascavel (PR).

De acordo com o vice-presidente da Case IH para América do Sul, Christian Gonzales, havia dúvidas em relação às vendas na feira por causa dos problemas climáticos no Paraná, mas os negócios estão sendo fechados. "Esperávamos algum desânimo. Apesar disso, há um otimismo contido". A expectativa da marca é de aumento de 5% a 10% nas vendas na mostra deste ano ante a 2017.

Segundo Miguel Neto, mesmo as perdas que poderão ser registradas pelos agricultores em razão do clima adverso a lavouras de soja em Mato Grosso deverão ser compensadas pela grande colheita de milho prevista para esta safra 2018/19.

Já as exportações de máquinas continuaram retraídas. Foram 693 unidades em janeiro, ante 884 em dezembro e 775 em janeiro de 2018. "Há preocupação em relação à Argentina. O país tem dificuldades econômicas e políticas e houve seca no ano passado. O produtor fica inseguro", afirmou Miguel Neto.

Mais em www.anfavea.com.br

 


Fonte: Valor Econômico