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“Veremos mais tratores nas lavouras, como se fossem enxames”, diz presidente mundial da Case IH

Há dois meses no comando global da fabricante de máquinas Case IH, Brad Crews prevê para os próximos 20 anos uma das maiores revoluções do agronegócio nos últimos tempos – com máquinas autônomas, digitalização da agricultura e a chamada “servitização” (transformação de produtos em serviços). Há dois anos afastado do grupo para se dedicar à família, após 23 anos de experiência em cargos administrativos da CNH Industrial, o executivo retorna como presidente mundial.

– Os agricultores da América do Sul são muito profissionais, mas sofrem com problemas de conectividade no campo, o que os impede de tirar 100% da capacidade que as máquinas oferecem – lamenta Crews.

Pela primeira vez na Agrishow, principal feira agrícola da América Latina, realizada em Ribeirão Preto (SP), o executivo falou com jornalistas sobre o desafio da internet no Brasil, a gestão de dados e o avanço da inteligência artificial.

O senhor fala em uma grande revolução do agronegócio nos próximos 20 anos. Quais segmentos de negócios surgirão?

Frotas autônomas ganharão espaço na abertura de áreas. Veremos cada vez mais tratores nas lavouras, como se fossem enxames. Pulverizadores substituídos por drones. O uso de dados para melhorar a produtividade será crucial diante do aumento da população mundial. A legislação dos agroquímicos também poderá mudar o cenário. Cada vez mais, veremos equipamentos sendo feitos para a necessidade das regiões, como a América do Sul.

O produtor do futuro será um gestor de dados, além de um produtor de alimentos?

Sim, os dois. O produtor do futuro terá de fazer a gestão dos dados, além de produzir bem. Independentemente do tamanho, terá de ser profissional. E há espaço para grandes e também para médios e pequenos. Por exemplo, nos Estados Unidos, há muitos pequenos agricultores orgânicos, todos produtivos e profissionais.

Como a inteligência artificial impactará na indústria de máquinas agrícolas?

Penso que ainda estamos entendendo como a inteligência artificial impactará no nosso negócio. Alguns equipamentos sofrerão mais mudanças. Por exemplo, o pulverizador capaz de aplicar o químico apenas na erva-daninha, com aplicação precisa. Outro exemplo é o impacto na logística da cana-de-açúcar, hoje muito manual. Acredito que a inteligência artificial avançará, mas muito mais como uma evolução do que uma revolução propriamente dita.

A tendência é do aumento de operadores de máquinas capacitados ou de uma intervenção maior da indústria?

Em um futuro próximo, as máquinas irão cada vez mais falar entre si. Uma das soluções é uma colheitadeira com um operador liderar outras quatro colheitadeiras, sem operadores. A grande aposta é a conectividade.

Qual a sua opinião sobre conectividade entre máquinas de marcas diferentes?

Nossa solução de agricultura de precisão é aberta para que seja acessível a diferentes marcas. E todo o desenvolvimento futuro será baseado nisso também. O propósito é ter uma engenharia aberta, sabendo que os clientes têm frotas mistas. Os dados são de propriedade dos clientes.

O que mudaria na competitividade brasileira se tivéssemos a mesma estrutura americana, que têm 90% das fazendas conectadas?

Um dos maiores ganhos da conexão de dados é o aumento da produtividade. O produtor que tem acesso à informação instantânea consegue intervir de forma mais eficiente. E queremos liderar essa mudança por meio de parcerias, como a que temos com a Farmers Edge, uma das líderes globais em gestão agronômica, onde o cliente pode acessar diferentes mapas. Por meio do diagnóstico precoce, ele pode aplicar fertilizantes, corretivos e outros insumos para aumentar a produtividade.

Como a empresa trata a sustentabilidade, diante da necessidade de aumentar a produção de alimentos?

A grande oportunidade na área da segurança alimentar é o uso do blockchain (registro de informações a partir de cadeias de blocos protegidos por criptografia), desde a colheita até o destino final. Outra maneira de garantir a sustentabilidade é o uso de biocombustíveis, além da utilização eficiente de insumos.

É possível falar em novos investimentos para o Brasil?

Vejo grandes oportunidades de investimentos da Case IH no Brasil. Somos fortes em colheitadeiras de grãos e de cana-de-açúcar. Temos uma grande oportunidade de aumentar nossa oferta de plantadeiras e pulverizadores.

 

 


Fonte: Portal GaúchaZH