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Vice-presidente da UE vem ao Brasil para negociações do acordo com Mercosul

O vice-presidente da União Europeia para Emprego, Crescimento, Investimento e Competitividade, Jyrki Katainen, chega ao Brasil na sexta-feira, 10, para uma reunião com chanceleres do Mercosul. A visita é encarada como uma tentativa de dar um impulso político à negociação do acordo de livre comércio entre os dois blocos econômicos, que enfrenta dificuldades.
 
O dirigente europeu vai reunir-se com os chanceleres do Brasil, Aloysio Nunes, da Argentina, Jorge Faurie, e do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa. O do Paraguai, Eladio Loizaga, encontra-se em viagem ao exterior.
 
Negociadores dos dois lados voltaram a reunir-se esta semana na capital federal para tentar avançar no acordo, depois que a rodada realizada em outubro terminou de forma frustrante. Do ponto de vista do Mercosul, os europeus descumpriram o acordo pelo qual deveriam apresentar, para negociação, uma proposta melhor do que a que estava sobre a mesa em 2004, quando o diálogo chegou a um impasse e ficou paralisado.
 
Mas, ao invés de melhorar, os europeus entregaram em outubro passado uma proposta pior para dois produtos: carne e etanol. No caso da carne, a oferta foi comprar 70.000 toneladas, quando o ponto de partida deveria ser 100.000 toneladas por ano. Para o etanol, a proposta foi de 600.000 toneladas, quando era esperado algo superior a 1 milhão de toneladas.
 
Os números decepcionaram os sul-americanos. No entanto, já estava claro que os europeus não trariam nada diferente para a rodada de negociações que ocorre esta semana.
 
Para sair do impasse, será necessário que os dois lados melhorem suas ofertas. Ou seja, o Mercosul também precisará abrir mais seu mercado ou oferecer vantagem adicional em investimentos, compras governamentais ou serviços para ter uma proposta melhor para o etanol e a carne. O que os negociadores discutirão ao longo desta semana são os parâmetros para que sejam apresentados novos números.
 
Com tanta dificuldade, a ideia de se anunciar em dezembro o fechamento de um “acordo político”, ou seja, um acordo com alguns pontos pendentes a serem detalhados, vai ficando mais difícil. Mas ele ainda é considerado possível.


Fonte: Estadão Conteúdo