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Vírus acautela importador de combustível, apesar de janela aberta para compras

Postado em 20 de Março de 2020

Uma perspectiva de redução da demanda por combustíveis no Brasil, como resultado de medidas preventivas contra o novo coronavírus, deixou importadoras independentes cautelosas em suas operações, apesar das janelas para as compras externas estarem abertas.

Os preços praticados pela Petrobras —responsável por quase 100% da capacidade de refino do país— estão acima da paridade de importação, abrindo espaço para a atuação das importadoras, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo.

No entanto, o cenário não parece promissor.

“As operações (de importação) estão acontecendo, mas com receio”, disse à Reuters o presidente da Abicom, que representa nove importadoras de combustíveis independentes que atuam no Brasil.

O principal temor é um recuo nas vendas de postos de combustíveis como resultado de uma redução do deslocamento de pessoas por meio de veículos, que tem sido empenhada no Brasil e no mundo como forma de frear a disseminação do coronavírus pelo país.

“A demanda está caindo, a maioria das distribuidoras tem compromisso de cota com a Petrobras e já colocou pedido na Petrobras, sobrando pouco espaço para fazer compras externas”, afirmou Araújo.

“Ontem eu falei com quase todas as afiliadas e o que eles me dizem é que a situação é de cautela.”

Postos de combustíveis no Brasil já começaram a observar redução acentuada das vendas, com alguns deles registrando queda de 50% na demanda, afirmou à Reuters na véspera o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) Aurélio Amaral.

Outro fator de preocupação, segundo Araújo, é que a Petrobras mude seu comportamento e impeça as vendas das importadoras no mercado interno, uma vez que a empresa é livre para praticar preços conforme seus interesses comerciais e pode alterá-los quando achar necessário.

“Não se sabe até quando que a Petrobras vai ficar mantendo esse preço acima da paridade... A Petrobras tem feito a coisa certa, ela tem buscado acompanhar o preço fazendo a redução, mas sem encostar na paridade, porque nunca se sabe o que vai acontecer amanhã”, afirmou.

“Ontem teve uma queda grande no Brent, hoje já está subindo... É uma gangorra. O preço vai e volta.”

O petróleo Brent, referência internacional, avançou 14,4%, para 28,47 dólares por barril nesta quinta-feira, após ter despencado para 24,52 dólares na quarta-feira, menor nível desde 2003.

Em sua última alteração, a petroleira anunciou na quarta-feira redução do preço médio da gasolina em suas refinarias em 12% e o do diesel em 7,5% a partir desta quinta-feira.


Fonte: Reuters