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Volvo anuncia que todos os seus carros terão motor elétrico a partir de 2019

A Volvo anunciou nesta quarta-feira (5) que todos os seus modelos terão motores elétricos a partir de 2019, o que a torna a primeira montadora de automóveis convencional a decretar o fim dos veículos movidos apenas por motores de combustão interna.

De 2019 em diante, ela só fabricará três tipos de carro: 1) puramente elétricos; 2) híbridos recarregáveis por meio de tomadas (plug-in); e 3) os chamados híbridos “leves”, que combinarão uma grande bateria a um pequeno motor a gasolina.

“O anúncio marca o fim dos carros movidos apenas por motores de combustão interna”, disse Hakan Samuelsson, presidente-executivo da montadora.

“A Volvo declarou que planeja vender um total de 1 milhão de carros eletrificados até 2025. E falamos sério quando fizemos essa declaração. É assim que a cumpriremos”, afirmou.
A montadora sueca foi adquirida pela montadora chinesa de automóveis Geely, em 2010.
Os novos proprietários provaram ser um catalisador na corrida para eletrificar os modelos, porque a China já lidera as vendas mundiais de carros elétricos e a Geely é a única montadora sob controle acionário chinês que produz veículos para o mercado dos Estados Unidos.

Cerca de 265 mil veículos com propulsão puramente elétrica foram vendidos na China no ano passado, ante 110 mil em toda a Europa, de acordo com dados compilados pela EV-Volumes.com.
Em termos mundial, o mercado de carros elétricos puros é minúsculo, representando menos de 1% das vendas totais de veículos no ano passado, mas está crescendo rapidamente.

De janeiro a março, as vendas mundiais de veículos plug-in —que abarcam veículos puramente elétricos e híbridos plug-in— subiram em 40%, para 191,7 mil unidades, de acordo com a EV-Volumes.com.
Se o ritmo de crescimento registrado de 2013 para cá se mantiver, em 2030 80% dos veículos vendidos no planeta serão plug-ins.

A Volvo anunciou que vai lançar cinco carros puramente elétricos entre 2019 e 2021. Três serão projetos da Volvo e os outros dois da Polestar, uma subsidiária de veículos de alto desempenho lançada no mês passado.
A partir de 2019, nenhum carro da Volvo será vendido sem motor elétrico, e os veículos de combustão interna serão “gradualmente tirados de linha”, anunciou a empresa. Ela também pretende tornar suas operações industriais “neutras em termos de efeito sobre o clima” até 2025.

TESLA
A agenda da Volvo provavelmente despertará dúvidas sobre a posição da Tesla, a montadora norte-americana de carros elétricos cujo valor em Bolsa disparou em um período no qual não havia concorrência em termos de veículos puramente elétricos.
A Tesla, que vendeu 76 mil veículos no ano passado, planeja produzir 1 milhão de carros ao ano a partir de 2020, mas seu valor de mercado, US$ 58 bilhões, já é mais alto que o da General Motors, que vendeu 10 milhões de carros no ano passado.
A Tesla vem conquistando apoio entusiástico dos investidores, que acreditam no futuro de emissão zero de poluentes projetado pelo presidente-executivo da montadora, Elon Musk.

O primeiro dos importantíssimos Tesla Model 3 —o carro que Musk espera ajude a transformar veículos elétricos de baixo custo em um objeto de desejo para as massas, em lugar de apenas um brinquedo de curto alcance para motoristas preocupados com a ecologia— deve ser entregue ao comprador neste mês, respeitando o cronograma.

Mas o anúncio da Volvo mostra que os dias da Tesla como única montadora premium de carros elétricos estão contados.

A Jaguar anunciou que seu utilitário esportivo elétrico, o I-Pace, chegará ao mercado no final do ano que vem, e a Audi começará a vender dois modelos elétricos premium em 2019, o ano em que a Mercedes lançará seu primeiro utilitário esportivo elétrico, como parte de sua nova marca EQ.

No Salão do Automóvel de Frankfurt, em setembro, a BMW deve anunciar uma versão elétrica da Série 3, sua linha mais vendida de carros.

Em 2020, as montadoras tradicionais devem ter linhas amplas de carros elétricos à venda, oferecendo alcance de cerca de 500 quilômetros, disse Michael Muders, administrador de fundos da Union Investment.
“Creio que será bem difícil para a Tesla manter sua posição, nesse mercado”, disse. “O império vai contra-atacar.”


Fonte: Folha de S. Paulo