Crescendo sem fôlego - Por Caio Carvalho

Crescendo sem fôlego - Por Caio Carvalho

Estamos fechando o ano civil 2025, com um crescimento global (PIB) abaixo de 2,5%, vendo uma desaceleração dos EUA, uma estagnação na Europa e menor crescimento na China (4 – 4,5%). Foi um ano de muitas tensões geopolíticas, além da continuidade de guerras e conflitos, com a nova posição estratégica norte-americana com tarifaços, mas principalmente suportada pela visão da troca do multilateralismo pelo transnacionalismo, um modelo misto de unilateralismo com pressão comercial sobre todos, sejam competidores ou parceiros antigos.

No Brasil o PIB ficará abaixo de 2% em 2025, graças ao Agro e aos Minerais. O setor industrial segue fraco (exceto nas agroindústrias), com um déficit primário assustador e já apontando grave posição para 2027 (pós-eleições), com aumento de impostos e isenção de imposto de renda para faixa de renda mensal de até R$ 5 mil, deteriorando ainda mais as previsões do lado fiscal. Por outro lado, a balança comercial segue forte com superávit superior a US$ 80 bilhões graças aos setores citados.

Em 2025, realizações globais aconteceram no Brasil envolvendo as discussões das mudanças climáticas, diplomacia, tecnologia, energia e cultura: G20 e COP30, salientando-se nessas reuniões as qualificações do país como solução à questão climática nos campos do agro, da segurança alimentar e da transição energética.

Foi um ano de baixos preços das commodities, desde o petróleo e produtos agropecuários, além dos impactos do tarifaço dos EUA sobre o Brasil, ainda prevalecendo em vários produtos. Por outro lado, da melhoria das narrativas do Agro sendo sentidas pelos países presentes nos eventos globais comentados e realizados no Brasil.

No campo político, houve infelizmente um ambiente não cooperativo entre os três poderes da República, uma tensão constante e não construtiva, às vésperas de um ano de eleições majoritárias.

O etanol teve oferta crescente, com base na expansão da oferta de milho enquanto o açúcar desceu a escada de preços. A safra 2025/26 mostrou os preços equivalentes do etanol acima do açúcar, um consumo veicular limitado, requerendo a valorização das externalidades positivas do etanol de modo a expandir a demanda, essencial para os investimentos. Foi um ano para a confirmação do RenovaBio (lei federal dos biocombustíveis), da chegada da lei do Combustível do Futuro e outras medidas, mas ainda se sente a falta de uma consistência na relação de preços fóssil – renovável, se o Brasil de fato sair do discurso do passado e buscar ações ao futuro.

Às portas de 2026, com pouco fôlego, resta a esperança de maior compromisso, com ações voltadas a acelerar a lenta transição energética.