Raízen detalha plano em negociação com credores; proposta prevê separação de negócios até 2027

Raízen detalha plano em negociação com credores; proposta prevê separação de negócios até 2027

A Raízen, joint venture entre Cosan e Shell e que busca restruturar R$ 65 bilhões em dívidas, disponibilizou nesta quarta-feira (27) os materiais que foram compartilhados com os grupos de credores financeiros quirografários (sem garantia real), com quem vem negociando os principais termos e condições do seu plano de recuperação extrajudicial.

Em linhas gerais, a proposta, que ainda está em negociação, prevê, conforme já anunciado, um aporte de ao menos R$ 3,5 bilhões pela Shell e um potencial aporte de R$ 500 milhões por veículo controlado pela Aguassanta (“family office” de Rubens Ometto, controlador da Cosan), além da conversão de 45% da dívida em ações e o reperfilamento de 55% da dívida em novos instrumentos.

Além disso, o plano prevê a separação das operações da Raízen em duas unidades independentes: Raízen Energia, dedicada exclusivamente aos negócios de etanol, açúcar e bioenergia; e Raízen Combustíveis, de distribuição de combustíveis e lubrificantes, até 2027. Em nota, a companhia informou ainda que, caso receba a aprovação dos credores e a homologação judicial até 8 de junho, o plano será implementado em etapas sucessivas.

Outra opção apresentada aos credores é de desconto de 80% sobre o valor do crédito e pagamento em parcela única, com vencimento em 31 de março de 2047. A terceira possibilidade é de liquidação em caixa limitada a pequenos credores.

Os materiais divulgados na quarta-feira (27) contemplam informações sobre os negócios, o desempenho operacional e financeiro da companhia, bem como incluem declarações prospectivas, estimativas e projeções financeiras que foram elaboradas exclusivamente para fins de discussão com os credores no contexto do plano de recuperação extrajudicial.

Conforme a companhia, até o momento, não foram formalizados documentos definitivos nem tomadas decisões finais acerca dos termos econômicos específicos ou da implementação das medidas em negociação.

Os termos apresentados estão sujeitos a alterações materiais no curso das negociações, à obtenção das aprovações necessárias e à execução de documentos definitivos por todas as partes envolvidas.

A Raízen ainda esclarece que a disponibilização do material faz parte do processo legal de reestruturação e tem por objetivo assegurar que informações relevantes compartilhadas no contexto das negociações com os grupos de credores financeiros sejam tornadas públicas.

 

 


Por Victor Meneses
Globo Rural