Veja dicas para ter sucesso do uso do MIP na cana-de-açúcar

Tempo de leitura: 5 minutos

Nós, que trabalhamos diariamente em canaviais, sabemos que, quando não controlados, insetos e pragas podem causar sérios prejuízos à atividade, o que faz com que controlar seja fundamental. Nesse sentido, a adoção do MIP na cana-de-açúcar vem sendo uma das estratégias cada vez mais utilizadas.

Também conhecida como Manejo Integrado de Pragas, a estratégia do MIP na cana-de-açúcar associa várias ações para um alcançar um controle mais efetivo das pragas, mantendo o equilíbrio do ambiente, preservando os inimigos naturais e impedindo prejuízos econômicos.

Entretanto, para que o MIP seja o mais efetivo possível, é necessário considerar vários cuidados para evitar erros no controle das pragas presentes em canaviais.

Conheça então qual é o conceito ligado a estratégia do MIP na cana-de-açúcar e acompanhe algumas dicas imprescindíveis para controlar a população de bicudo-da-cana, cigarrinha-das-raízes, cupins e demais pragas na cana com eficiência.

 

MIP na cana-de-açúcar: Integração de diferentes ferramentas de controle

Na cana-de-açúcar, o manejo integrado de pragas (MIP) é representado por um sistema de controle de pragas que visa preservar e aumentar os fatores de mortalidade natural das pragas.

Diferentemente do controle tradicional – que usa essencialmente o método químico para tentar eliminar as pragas – o uso do MIP na cana-de-açúcar não tem como objetivo eliminar as pragas completamente, mas reduzir a sua população para abaixo do nível de controle.

Para conseguir isso, o Manejo Integrado de Pragas utiliza-se da integração de diferentes ferramentas de controle, que são:

  • Produtos químicos;
  • Agentes biológicos (predadores, parasitoides e entomopatógenos – bactérias, fungos ou vírus);
  • Variedades de plantas de cana-de-açúcar resistentes a pragas;
  • Manejo cultural;
  • Feromônios e Plantas iscas

É importante lembrar que a definição de quais métodos de controle utilizar para o MIP deve ser selecionada com base em parâmetros técnicos, econômicos, ecológicos e sociológicos.

 

Como adotar o MIP na cana-de-açúcar de forma eficiente?

A adoção do MIP na cana-de-açúcar já é uma estratégia de controle bastante difundida no setor sucroenergético e já está sendo adotada em diversas regiões canavieiras do país. Entretanto, muitos produtores, na ansiedade de controlar as pragas de forma rápida, adotam as estratégias de MIP de forma errada, com pouca estratégia e sem respaldo técnico.

Para ajudar a resolver essa falha, o produtor precisa pensar no MIP como se fosse realizar a construção de uma casa. Toda construção de casas é baseada em um alicerce bastante forte e alguns pilares que dão a sustentação para a casa.

Fazendo uma analogia com o MIP na cana-de-açúcar, o alicerce seriam as decisões de manejo, responsáveis pela tomada de decisão da melhor estratégia a ser adotada, sendo caracterizadas por:

  • Observação do canavial, com a consequente pesquisa de pragas presentes;
  • Nível de controle das pragas;
  • Capacidade de monitoramento (amostragem) e da coleta de informações taxonômicas da praga (espécie), com toda sua biologia e ecologia.

Com um alicerce bastante forte (ou seja, com o conhecimento sobre a situação de pragas no canavial) chega a hora de determinar as táticas de manejo que serão utilizadas, caracterizadas como os “pilares da casa”. Estas são representados pelos variados tipos de controle a serem utilizados, são eles:

  • Controle cultural;
  • Controle biológico;
  • Controle comportamental;
  • Controle genético;
  • Controle varietal; e
  • Controle químico.

A adoção desse conjunto de técnicas ligadas ao MIP na cana-de-açúcar favorece a volta do equilíbrio natural do canavial que, por sua vez, aumenta a resistência biótica e evita que novas pragas se estabeleçam na área.

 

Dicas para adotar o MIP na cana-de-açúcar com eficiência

Além das informações anteriormente apresentadas, gostaria de ressaltar algumas dicas que precisam ser consideradas para que a adoção do MIP na cana-de-açúcar atinja seu sucesso:

1) Realize, de forma periódica, todos os levantamentos sobre a área (solo, umidade, variedade, nutrição, idade, quantidade de palha presente, vinhaça, etc.), permitindo maior conhecimento sobre a área e pragas existentes, possibilitando a tomada de decisão sobre o melhor momento de agir;

2) Deixe de lado os métodos antigos de amostragem e comece a adotar métodos que permitem o conhecimento de uma distribuição espacial e temporal da praga. A adoção da agricultura de precisão pode ser a melhor alternativa nesse sentido;

3) Além de saber quais são as pragas presentes no canavial é importante também buscar o conhecimento sobre quais são seus inimigos naturais, possibilitando que estes sejam usados no controle;

4) Realize avaliações e inspeções nas mudas, visando não disseminar possíveis pragas durante o plantio;

5) Não se recomenda a adoção de estratégias únicas de controle em área total. Isso, seguramente, levará a falhas no controle das pragas, além de desperdícios no uso de produtos e de tempo. Diante disso busque dividir sua área em glebas, fazendo o levantamento e a tomada de decisão específicos para cada área.  

6) Tenha cuidado com as operações mecânicas, busque faze-las corretamente sempre com o objetivo de maximizar a eficiência;

7) Sempre tenha o acompanhamento de um engenheiro agrônomo especializado em manejo integrados de pragas em canaviais.

 

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