4 fatores para melhorar o desempenho das colhedoras de cana

4 fatores para melhorar o desempenho das colhedoras de cana

Tempo de leitura: 6 minutos

Pode-se dizer que uma das atividades mais importantes na produção de qualquer cultura é a colheita e, no caso da cultura da cana-de-açúcar, esse fato também é verdadeiro . Isso porque ela tem um valor agregado alto, por compreender operações bastante onerosas do processo produtivo. Além disso, ela deve atender à demanda da usina com qualidade e custo competitivo.

A figura central da colheita de cana-de-açúcar atualmente é a colhedora e, por isso, muito se fala sobre como aumentar seu desempenho operacional. Mas são diversos os fatores que influenciam o desempenho operacional e econômico delas então nos resta a dúvida: quais seriam os pontos principais?

Em 2018, durante o 20º Seminário de Mecanização, pedimos para que Douglas Rocha do Grupo ATVOS apresentasse uma palestra justamente sobre esse assunto: os fatores-chave para melhorar o desempenho das colhedoras e ele nos falou de 4 pontos cruciais de atenção:

  1. Preparação da área
  2. Operador bem preparado e ciente do que fazer
  3. Condições da colhedora
  4. A cana em si
  1. Preparação da Área

Sabemos que a velocidade da colhedora influencia nas perdas de cana, no desgaste das máquinas e no aumento dos índices de arranquio de touceiras e de impurezas minerais e vegetais. Tudo isso acarreta aumento de custos, matéria prima ruim, depauperação da soqueira, na perda de rendimentos e no resultado econômico esperado pela usina ou produtor de cana.

Para Douglas Rocha é imprescindível sistematizar a área para receber a ação das máquinas. Áreas com distâncias longas são ideais para que o operador consiga manter uma velocidade constante e, assim, diminuir as perdas operacionais e financeiras.

O formato dos talhões, o nivelamento das áreas e o sistema viário são itens muito importantes para eficiência do CCT. A falta de planejamento e de sistematização acarretará diversos prejuízos ao sistema além de aumentar os custos, como:

– Redução da capacidade operacional das máquinas;

– Maiores riscos de acidentes (batidas, quebras, tombamentos, etc.)

– Perdas de área produtiva em carreadores.

Para fazer a sistematização das áreas, deve-se fazer uma vistoria completa para corrigir as imperfeições existentes nelas. Ou seja, eliminar estrias ou sulcos de erosão, corrigir as depressões, barrancos, degraus e eliminar ou suavizar as curvas transversais. Deve-se também fazer uma rigorosa limpeza das áreas: retirar tocos, raízes, restos de galhadas, peças, lixos e pedras que atrapalham a operação e podem danificar as máquinas. os canaviais devem também estar livres de mato principalmente aqueles que causam paradas e perdas de rendimento operacional, tais como as cordas de viola, moitas de capim colonião, capim camalote, (entre outros de touceiras grandes) mamona e a mucuna.

As curvas de nível remanescentes em área de reforma ou expansão também devem ser eliminadas, evitando que o plantio e consequentemente a colheita sejam realizados transversalmente para evitar acidentes, danos nas máquinas (e consequentemente perda de tempo com manutenção), arranquio de soqueiras, e outros danos às lavouras.

  • Formação de equipes de Operadores de Colhedoras

O desempenho operacional das máquinas também pode ser muito influenciado pelo operador. Este precisa ser bem preparado e estar ciente de suas atividades.

Para se obter um desempenho satisfatório das frentes de colheitas, todos os líderes, supervisores e coordenadores de CCT e de outras áreas (logística, manutenção, qualidade, segurança, preparo de solo/plantio) devem passar por treinamentos sobre os principais procedimentos nas frentes de colheita mecanizada e demais operações.

Douglas recomenda algumas ações para a formação e a constante atualização das equipes, como:

– Elaboração de manuais de melhores práticas;

– Workshops constantes e formação dos integrantes das equipes, incluindo líderes, multiplicadores e operadores);

– Treinamentos presenciais e com simuladores;

– Acompanhamento contínuo da atividade no campo;

– Sempre fazer: realinhamento das melhores práticas.

  • Condições da Colhedora

A máquina está em sua melhor condição?

Douglas acredita que, as máquinas devem atender as especificações do fabricante, para assim explorar seu máximo potencial de uso. No vídeo do Minuto IDEA gravado durante o 20º Seminário de Mecanização, ele aconselha que todos os equipamentos da máquina como: despontador, sistema do corte de base, sistema de rolo, sistema de facão picador, de exaustor, a ventilação da máquina e o sistema de transferência para o veículo transportador, devem estar dentro da originalidade da máquina para se obter uma eficiência e maior capacidade de colheita e maior qualidade da matéria-prima de qualidade.

Além disso, não podemos nos esquecer da manutenção das máquinas envolvidas na operação. A manutenção correta (preditiva, preventiva, corretiva) é fator de suma importância no processo produtivo da colheita de canas. Se os cuidados dados aos equipamentos forem inadequados, os custos de produção podem se elevar além do aceitável. Usar a máquina forçando-a para ganhar rendimentos operacionais também aumentam os desgastes.

Inclusive, um dado que me chamou a atenção na palestra do Douglas Rocha no 20º Seminário de Mecanização em 2018, foi: a correta manutenção pode DOBRAR a vida útil dos equipamentos.

A correta manutenção dos diversos componentes são condições mínimas e necessárias para manter alta disponibilidade das máquinas e prolongar sua vida útil, evitando desgastes prematuros e gastos adicionais (grandes prejuízos) com a reposição de peças e mão de obra mecânica.

Segundo o Angelo Banchi, da consultoria Assiste, em palestra apresentada em 2017, cita queda de rendimentos e aumento de custos de manutenção na medida em que envelhecem. Com cinco anos, muitas colhedoras já estão pedindo renovação, pois os custos aumentam demasiadamente devido a desgaste excessivo.

  • A cana em si

Podemos resumir esse item em uma frase:  para ter um melhor desempenho das colhedoras, precisamos de uma cana ereta uniforme e sem obstáculos na plantação, que nos possibilite usar o melhor possível que a máquina e toda sua tecnologia embarcada nos oferece, para trazer o máximo de açúcar por hectare.

Todos esses fatores, um a um, são detalhados, todos os anos, no Seminário de Mecanização em palestras com conteúdo altamente técnico e prático.

Em 2019, o evento vai acontecer nos dias 27 e 28 de março, em Ribeirão Preto. Programe-se para participar e ter muitos insights sobre ações que você pode adotar ou ajustar em seu dia a dia de trabalho para obter o melhor desempenho das colhedoras na sua lavoura.

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