VANT’s e cana-de-açúcar: tomada de decisão mais assertiva

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As novas tecnologias estão tomando conta das lavouras e os drones, VANT’s ou RPA’s estão ganhando cada vez mais espaço. Em primeiro lugar, devemos nos familiarizar com os termos, drone é um nome comum para Veículo Aéreo Não Tripulado – VANT. Existe também o termo RPA (Remotely Piloted Aircraft) que significa Aeronave Remotamente Pilotada, este último se utiliza muito para fins de legislação.

Apesar de significarem a mesma coisa, drone, que traduzido do inglês significa zangão ou zumbido, é um termo que faz referência a um equipamento utilizado para fins recreativos. Já o VANT é um equipamento que leva uma carga útil embarcada, podendo ser uma câmera, que é o mais convencional, ou qualquer outro objeto que não seja necessário para levantar voo.

Quais os usos na agricultura?

O uso dos VANT’s para agricultura vem sendo bastante estudado, e, um caso de muito sucesso é com a cana-de-açúcar. Isso ocorre devido as diversas possibilidades que o VANT traz para rentabilizar ainda mais o plantio, o desenvolvimento e a colheita da cultura.

Entretanto, um grande entrave encontrado pelas usinas e pelos produtores de cana são as falhas de plantio, que trazem grandes prejuízos ao longo dos cortes da cana.

Como resultado para sanar esse problema utiliza-se o VANT. Isso é possível através do levantamento aerofotogramétrico realizado com o equipamento, ou seja, do mapeamento da área.

A partir das imagens coletadas pela câmera fixada ao VANT e da coleta das coordenadas geográficas, geram-se as ortofotos.

Posteriormente, as ortofotos são processadas através de softwares de processamento de imagens, gerando o ortomosaico, um mapa de toda a área fotografada.

Esse ortomosaico feito através das imagens capturadas pelo VANT, pode ter um GSD (Ground Sample Distance) de até 2 centímetros, ou seja, a distância entre o centro de um pixel para outro é de 2 centímetros. Já no caso das imagens capturadas por satélite, o GSD de máximo detalhamento é de 30 centímetros.

Mas, em termos práticos, o que isso significa e como pode ajudar a elevar a produtividade da cana-de-açúcar?

Um GSD de 2 centímetros é muito mais detalhado e mostra resultados melhores em campo se comparado ao de 30 centímetros. Por isso, os VANT’s substituíram os satélites quando se trata de mapeamento de lavoura, uma vez que a qualidade das imagens geradas pelo VANT é maior.

No entanto, o GSD mais utilizado para mapeamento de canaviais é de 10 centímetros, isso porque um GSD menor exige queo voo seja mais baixo e, consequentemente, exige mais voos para montar um ortomosaico.

O ortomosaico gerado no processamento das imagens, pode ser adicionado a diversos softwares agrícolas, dentre eles estão os de quantificação e localização de falhas nas linhas de plantio.

Desta maneira, o programa detecta as linhas plantadas e as áreas falhadas, mostrando o resultado em porcentagem, fornecendo dados que possibilitam uma tomada de decisão mais assertiva.

Depois disso, com os dados coletados em mãos de maneira rápida e eficiente, a usina ou o produtor rural poderá escolher a melhor decisão a ser tomada: realizar o replantio ou seguir o desenvolvimento da lavoura com as áreas falhadas.

Além da contagem das falhas, os VANT’s têm outros usos para a cana-de-açúcar. Um uso bastante comum é para fins de logística. As usinas utilizam o mapeamento aéreo para acompanhar o desenvolvimento da lavoura.

Se no ortomosaico constar cana tombada, por exemplo, a usina deverá enviar um número menor de transbordos para realizar o carregamento, porque não colherá a área tombada. Em canaviais muito produtivos o tombamento é frequente, tornando-se um problema para as colhedoras mecânicas.

O que mais o VANT pode fazer?

Além dessas práticas, com o VANT também é possível detectar reboleiras e áreas desuniformes no canavial, facilitando o manejo mais eficiente através da rápida detecção de áreas não sadias.

Essas áreas podem estar sofrendo com o ataque de pragas como nematoides e plantas daninhas, que têm seus sintomas facilmente captados pelas imagens dos VANTS’s. Além disso, outro uso que já está sendo colocado em prática, é o de controle biológico. Para o combate a broca-da-cana, por exemplo, os VANT’s são usados para liberação do inimigo natural da broca, a Cotesia Flavipes.

Em conclusão, conseguimos visualizar os benefícios do uso de VANT’s para uma melhor produção canavieira, auxiliando os produtores a enxergar seus problemas com clareza e a tomar decisões mais ágeis e eficientes.

O uso dos VANT’s poderá ser ainda mais vantajoso com as novas ferramentas que estão surgindo, por isso, atente-se para as novidades do setor.

Uma das maneiras de estar em contato com a constante evolução tecnológica do setor sucronenergético, é através da participação em eventos técnicos e focados. O Seminário de Mecanização e Produção de Cana de Açúcar, organizado há 22 anos pelo Grupo IDEA é um evento referência para se inteirar dos lançamentos de máquinas e equipamentos para a cultura. A próxima edição do evento será nos dias 1 e 2 de abril e você pode fazer a sua inscrição clicando aqui.

Outro evento bastante significativo para quem está interessado em acompanhar a o uso da tecnologia para se garantir maior produtividade é o InovaCana, que vai acontecer nos dias 2 e 3 de setembro. As inscrições serão abertas em breve.

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